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A arte revela-nos a realidade

Quinta-feira, 03.11.16

 

A arte pode servir como propaganda do poder. Historicamente podemos constatá-lo na arte financiada pelos ricos e poderosos. Hoje ainda se mantém esta lógica, como se a arte vivesse de subsídios ou mecenato.

 

A arte hoje já não é a arte do objecto, já não é a arte enfiada em museus. A arte hoje saiu de um espaço-tempo limitado e libertou-se de uma etiqueta descritiva.

A arte é uma verdade universal, uma ideia, um desafio, acessível a todos. Podemos olhar para um desenho, um quadro, uma fotografia, ou ver um filme, ou ouvir uma peça musical, sem ir a um museu, a uma biblioteca, a um cinema ou a um concerto.

Mais, podemos produzir arte com novos instrumentos, nas paredes das cidades, nas ruínas de prédios desabitados, em espaços públicos.

A arte pode durar apenas uma noite, em lazer luminoso. Não deixar vestígios físicos, apenas impressões mentais e emocionais.

 

Uma arte esquecida, e agora reabilitada, é a arte popular, a arte que revela a cultura, as crenças e o modo de viver de populações, de comunidades.

Vemo-la, magnífica e exuberante, em capelas e igrejas. A complexidade do trabalho em pedra, da talha dourada, do mobiliário antigo. Sentimo-la nos temas musicais, nas vozes nasaladas, nos sons familiares do bombo, da flauta, do adufe, do cavaquinho.

 

E depois há a arte da consciência, a arte que intervém, que acorda, que abana, que mostra o que se passa por detrás da fachada, das palavras, do teatro político, em que o artista segue a sua própria consciência e preza a sua independência.

 

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 09:22

Do Tempo das Descobertas: Ígor Fiódorovitch Stravinski e Chanel

Segunda-feira, 21.12.09

 

D' O Cachimbo de Magritte, um interessante post de Joana Alarcão sobre um filme de um encontro:  o compositor russo e a estilista francesa.

 

" Ígor Fiódorovitch Stravinski e Chanel

 

 

 


 

A geração que nasceu no início do século XX, habituada a ouvir as óperas melódicas de Mozart, as sonatas subtis de Haydn e o romantismo de Wagner, detestou a decomposição rítmica da Sagração da Primavera de Stravinsky. É esse desconforto que caracteriza a sequência inicial do filme «Coco & Igor», do holandês Jan Kounen. Chris Greenhalgh, autor do livro, escreveu o argumento que dá vida ao encontro do músico/compositor com a estilista Coco Chanel.
 

Stravinski nasceu a 17 de Junho de 1882, em Oranienbaum-Rússia e tornou-se um dos mais importantes compositores do século XX. Parte da sua vida viveu-a em Nova York. Com uma obra de ruptura e uma personalidade carismática, o compositor marcou a música clássica do século.
 

O filme de Jan Kounen revela a estadia em Paris, após abandonar o seu país, imerso na revolução de 1917. A convite da estilista Chanel, instala-se na sua casa de campo. A mulher e os filhos acompanham-no, criando um ambiente de crescente tensão dramática, à medida que a relação de Chanel de Stravinski se intensifica. Na pequena floresta que rodeia a casa Stravinski despeja a sua ansiedade, os seus sentimentos conflituantes.
 

As personagens femininas no filme funcionam como opostos: uma ruiva, outra morena, uma que entende de música, outra que aprecia a estética, uma doente, outra cheia de saúde. A produção europeia é exemplar, desde o guarda - roupa, ao respeito pelo uso do inglês, francês e russo nos diálogos entre personagens de diferentes nacionalidades.
 

Apesar de ser um filme de encontro, a história evidencia a diferença. O texto dramático ,por ter sido reduzido na montagem, torna um filme cheio de música, com as notas do compositor a ressoar por toda a casa, numa história onde o silêncio é mais forte. Dispensavam-se as recordações finais, invocando as personagens envelhecidas, algo desenquadradas para um encontro tão pouco documentado.
 "
 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 16:09

Do Tempo das Descobertas: o cinema como terapia

Quarta-feira, 18.11.09

 

Vejam o que descobri n' O homem que sabia demasiado, o post Filmoterapia, sobre uma outra funcionalidade do cinema, segundo um livro, Guia Terapêutico de Cinema:

 

"Filmoterapia

 

Já li este livro há dois anos mas volta e meia regresso a ele com o mesmo prazer da descoberta. É um livro que trata o cinema de uma forma bem diferente do habitual, que concebe a sétima arte como uma terapia. Aliás, o autor, Pedro Marta Santos, diz mesmo que se trata de uma filmoterapia: filmes clássicos e modernos, para todas as doenças e estados de espírito. Escrito de forma divertida (mas explorando o cinema como matéria bem séria), 'Guia Terapêutico de Cinema' está talhado para curar doenças, indisposições ou estados de alma, receitando filmes como terapia para os mais variados sintomas e maleitas. Seja para curar insónias, para enfrentar problemas psíquicos, para usar como fonte de relaxamento, o guia sugere o uso de filmes (e indica o DVD certo) para - em doses bem medidas - enfrentar com sucesso as mais diversas eventualidades.

Jacques Tati está na categoria dos antidepressivos; Vicent Minnelli na classe dos ansiolíticos (como antídotos estão Bergman ou Antonioni). É uma espécie de livro de auto-ajuda com recurso a uma estrutura que mima a literatura médica (receita, genérico, substância activa, dispensário...), é um guia imprescindível para todos os amantes de cinema. O autor sugere filmes para curar insónias, excessos, traumas de infância, dúvidas existenciais, problemas morais, depressões, ansiedade... E divulga listas improváveis como Os Dez Melhores Filmes com freiras', 'Os Dez Piores Filmes com padres e Transsexuais', 'Filmes para Ver na Cama em Noite Chuvosa de Inverno', 'Filmes Que os Homens Gostam e Elas Fingem Que Gostam para lhes Agradar', etc.

Cataloga mais de 2000 filmes - indicando a sua disponibilidade em DVD - em temas bastante originais: 'Puro Vómito', 'O sexo e a Idade', 'De Fazer Chorar as Pedrinhas da Calçada', 'Filmes que Dão Vontade de Praticar Exercício Físico', entre outras abordagens pouco ortodoxas.

Em suma: seja qual for o seu problema, não vá ao médico: leia este livro e veja filmes, muitos filmes.  "

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 20:37

Do Tempo das Descobertas: o cinema como um escape à realidade

Segunda-feira, 09.11.09

 

Do Cinema is my Life, um magnífico post sobre um filme mágico: Sullivan's Travels:

 

 

" O cinema como um escape à realidade

 

Muito recentemente visualizei um clássico de Preston Sturges intitulado Sullivan's Travels. Infelizmente não tenho o tempo nem a disponibilidade para lhe dedicar uma crítica que invariavelmente merecia. Não obstante o facto pretendo com este post que os leitores descubram este maravilhoso pedaço trágico-cómico e que se deleitem com os mais primitivos instintos e objectivos da sétima arte. Se alguma vez esteve em causa que arte e entretenimento não são compatíveis fica aqui a prova, em fita, de que podem complementar-se com uma perfeição exacerbadamente aprazível. Acima de tudo, Sullivan's Travels é uma prolífica lição de vida e recorda-nos e embaraça-nos perante a ingenuidade que sempre tivemos mas que sempre acreditamos não ter. Sturges habilmente prova o quão dura pode ser a realidade e a forma como vamos menosprezando certas e determinadas oferendas que a vida nos vai proporcionando. Além do mais, e talvez seja mesmo a mais importante mensagem do filme, a fita mostra a importância do cinema enquanto o grande olho do século à medida que vai acompanhando a evolução da história mundial, não necessariamente apenas através dos seus eventos mas sim através daquilo que define os eventos: as pessoas. Poder-se-á também adicionar o facto de que a ilusão é uma realidade maravilhosa e que o cinema pode mesmo ser o melhor amigo para escapar a uma dura realidade e, por momentos, viver um mundo de fantasia repleto de emoção. Apenas considerando esse facto, a sétima arte já fez muito por muita gente e será esse, talvez, um dos maiores motivos pelos quais devemos estar gratos. Nunca sabemos quando iremos ser nós (se não já o fomos) a ir buscar conforto a uma arte que nunca desiste de nos fazer acreditar. E isso, meus amigos, vale muito.

 

Muito é continuamente discutido acerca da pirataria e já exprimi a minha opinião várias vezes quanto ao assunto em questão. Contudo, caso não tenham a possibilidade de adquirir este filme (seja qual for a razão) peço-vos que se dediquem a ela e que visualizem este Sullivan's Travels (será provavelmente uma das rarissimas vezes que faço este apelo) pois a lição de vida, humanismo e realidade valem este 'roubo' cultural. E claro, não nos podemos esquecer das fabulosas interpretações (incluindo a lindíssima Veronica Lake), a soberba realização e todo o restante notável processo que envolve esta fita. Termino este post com uma curiosidade. Em 2007, Sullivan's Travels foi considerado o 67º melhor filme de sempre pelo AFI. Tendo em consideração que o realizador nunca foi um dos mais mencionados e esta obra não é particularmente conhecida, diria que é um enorme e, de resto, justo feito. "

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 14:39








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